Teologia

A Paz do Senhor, queridos leitores abençoados! Tenho o prazer de compartilhar com vocês, um breve comentário sobre a Teologia. Pela ilustração acima, percebe-se que a Teologia se tornou bastante ampla.

Apesar da palavra Teologia ser muito usada, há um certo preconceito quanto a ela. A membresia mais tradicional teme que o estudo teológico pode trazer deturpação da Palavra de Deus, apesar de que alguns há, que usam a Teologia, interpretando-a ao seu próprio interesse, e esfriamento espiritual à Igreja.

Mas o profeta Oséias 6:3, já dizia: “Eis que o meu povo está sendo arruinado porque lhe falta conhecimento da Palavra… Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor… como escreveu o profeta Oséias. Os ensinos de Teologia são para manter viva a fé em Deus através de Sua Santa Palavra inspirada pelo Espírito Santo.

Significado da Palavra Teologia

É notável a relevância dos estudos teológicos e saber que Teologia é o estudo de Deus e das suas relações com o Universo. Isso inclui uma interpretação de fé,da experiência e da prática religiosa. De origem grega, a palavra teologia constituída de dois termos gregos: theos (deus) e logos ( palavra, estudo) a palavra teologia significa de um modo amplo um discurso sobre Deus.

Honório Rito1, descreve que  a origem da palavra teologia não é cristã, encontrado na  Grécia clássica, o termo era ligado a filosofia, sendo Platão o primeiro a usar a palavra teologia.

Segundo Honório, ainda, o logos para Platão era a palavra, e theos significava a realidade divina. Já Aristóteles em sua filosofia, vê a teologia como ciência que busca saber sobre a divindade.

O escritor Claudinei Jair Lopes2, insere em seus escritos o comentário de D. Satteler3, sobre as duas preocupações que movem o fazer teológico atual, tais como a identidade da fé cristã e a relevância da teologia para a realidade contemporânia em constante evolução histórica.

Para B. Oliver4, a teologia é algo vivo, uma coisa que escapa, que se movimenta, que avança e  Lopes, apresenta em sua obra os movimentos ocorridos com a “ reviravolta antropológica” na teologia no século XX, presentes no século XXI  também, e que deram  características próprias  e desafios à teologia, a tornando capaz de dialogar com a modernidade, com as sociedades, com a política, com as religiões, com as culturas, com as ciências sociais e com as filosofias, se assim não fosse, a teologia não teria como ser portadora das mensagens de vida e liberdade da fé cristã.

Thomas Ransom Giles,5 destaca que “Uma Teologia sem bases na fé é desprovida de todo sentido, pois a Teologia  é, por essência, uma tentativa de compreender e interpretar a fé”.

Eurico Bergsten,6 ensina que a Bíblia é a verdadeira fonte para o estudo em comento. Porque ela é divinamente inspirada pelo Espírito Santo (cf. 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.217), Precisamos nos esforçar para a leitura da Palavra de Deus, e pedir ao Espírito Santo de Deus para nos instruir para que possamos entender qual seja a esperança da nossa vocação e quais as riquezas da sua herança (cf. Ef 1.18). Porque como homem natural, somos limitados para entender a profundidade de riquezas, tanto da sabedoria, quanto da Ciência de Deus, o quanto é insondável!

É notável o preconceito da membresia conservadora, a respeito da Teologia, até mesmo nos dias atuais. A preocupação de muitos em relação a interpretação ou inclusão, ou mudança de palavras para justificação dos erros ou pecados e baseando suas desconfianças nas cartas aos 2º Coríntios 3:6, que diz: O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica; que segundo comentaristas, que “a letra mata” é sobre o guardar a lei.

 Muitos estudiosos da Teologia, com sua linha de pesquisas tem trazido temas relevantes, mas também há muitas diferentes  linhas de pensamento, e discordâncias.

Apesar de os dicionários bíblicos apontarem para o significado da palavra teologia ser um estudo sobre Deus ,os editores da obra de  Ronaldo e Rudolf, “declara que o campo da teologia  ainda continua além das explicações lógicas, racionais e científicas, mundo inexplicável da fé  em seu sentido somente vertical”.

A  Função E A Importância Da Teologia

Thomas R. Giles, destaca que sempre foi função da teologia relembrar a importância  da Palavra de Deus ao seu povo, com a  função crítica também, por confrontar a doutrina da Igreja e outros problemas e essencialmente indispensável para o crescimento e desenvolvimento da Igreja, mas, sendo a fé em Deus e em Jesus Cristo, a chave da experiência e conhecimento sobre Ele. Segundo Giles, a Teologia começou lá com os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João anunciando as Boas Novas de Salvação, com peculiar explicação, segundo a região de cada um.

  TEOLOGIAS

Visto na ilustração do início, que a Teologia tem várias vertentes, foi escolhido somente três. Noutro momento, serão apresentados outras áreas teológicas.

A–  Teologia Sistemática

  Com estudo bem extenso a “Teologia Sistemática são os dados da teologia de maneira organizada, até mesmo para fins didáticos No seu sentido tradicional, busca apresentar um panorama claro e ordenado dos principais temas da fé cristã, seguindo com frequência o padrão do Credo dos  apóstolos, ou seja, indo desde a doutrina de Deus até as doutrinas das últimas coisas, ou escatológicas”

Thomas R. Giles, narra que a Teologia Sistemática,  iniciou-se no século II e III, no período dos Pais da Igreja, para combater o paganismo e defender a  fé cristã. Os Pais da Igreja  são os principais teólogos São Justino, Santo Atanásio, Santo Irineu, São Clemente de Alexandria, Orígenes e São João Crisóstomo. Um dos Pais da Igreja, Santo Inácio de Antioquia, destaca o Senhor Jesus Cristo o Grande e Único  Mestre, que transmite a Teologia, a  Sabedoria  de Deus! Juntamente com início da Teologia Sistemática, a Igreja destaca os livros das Sagradas Escrituras, julgados inspirado pelo Espírito Santo, formando o CÂNON das Escrituras, sendo o CÂNON,  a principal norma para julgar os ensinamentos das Escrituras para pregar o evangelho. Apesar do Edito de Constantino criado em 313, promovendo apoio à Igreja e a Teologia, as mesmas precisavam convencer a validade das suas crenças, fazendo uso até da Filosofia grega, neoplatonismo, porque despertava o interesse das multidões. A queda do império romano, mais de um século depois, impactou a Igreja e a Teologia, quando então, os bispos teólogos  reformulam a Teologia, porque estes, conseguiram unir a força ao poder teológico à estabilidade, sociopolítica e a fé, e conseguem, pelo menos, por um tempo, “unir os estudos teológicos à intuição teológica”

B- Teologia  Escolástica

Giles destaca também a Teologia Devocional,destinada à população mais simples. Porém, no século XIII, Santo Alberto Mágno e Tomás de Aquino,  tentam conciliar a fé com a Filosofia, então fundam a Teologia Escolástica, explicando que “não pode haver conflito irreconciliável entre a fé (Teologia)  e a razão (Filosofia)”, pois a razão das duas é uma só, DEUS.

A Teologia Escolástica representa o movimento com início no século XII, teólogos Pedro Abelardo e Pedro Lombardo, movimento este, imprescindível para a Teologia Medieval, quando o pensamento era influenciado pela Igreja Católica, importante até para a Teologia Moderna, que são As Sentenças. Mas foi o teólogo e bispo Santo Anselmo que define a Teologia como a fé “como uma articulação sistemática formulada de tal maneira que podemos sentir mais de perto a presença de Deus em nosso meio”  como uma Teologia crítica, Escolástica esta fundamentada nas Escrituras Sagradas, nos Pais da Igreja, “nos Teólogos contemporâneos e pensadores, mesmos não cristãos e até os filósofos”.

Giles observa que como toda Teologia, a Escolástica também contextualiza  a  Encarnação, como Cristo presente , “paixão e ressurreição, como profeta, sacerdote, Rei, cabeça da Igreja, povo de Deus”!

 C- A Teologia Da Reforma

 Thomas Giles explica que a Teologia da Reforma, apoiada por Lutero, Zuínglio e Calvino, tem seus fundamentos não somente na fé cristã, mas também em Filosofias, políticas e sociais, sendo considerada como uma teologia anti-intelectual. Essa reforma acontece pelo afastamento da Igreja Católica das tradições bíblicos patrísticas, isto é, dos Pais da Igreja.

João Calvino é o primeiro a desenvolver a Teologia da Reforma em 1536. Os escritores Jerry L. Walls e Joseph R. Dongell, destacam que apesar de Calvino não te sido o primeiro a usar os temos por ele apresentados, como predestinação, por exemplo, com uma teologia de mais fácil entendimento, outros teólogos , igualmente importantes, fizeram uso desses termos, como por exemplo o teólogo Agostinho de Hipona. Mas, segundo Gilles, Lutero entende predestinação diferente de Calvino, porque para Lutero o ser humano não é merecedor  da redenção, porque somente Deus tem o poder de salvar, com a condição somente de renuncia e fé na disposição Dele  em nos salvar!

D- A Teologia Da Contra Reforma

O Prof. Daniel Neves 8ensina que A Contra Reforma é entendida como a reação da Igreja Católica em barrar o  avanço ao protestantismo pela Europa. A ação da contra reforma já havia começado antes mesmo do Concílio de Trento, mas foi após o Concílio que o movimento avançou com o monge alemão Martinho Lutero, que escreveu as 95 teses, querendo combater a forma de conceder perdão dos pecados, e ser salvos através de venda de indulgencias, foi o primeiro membro a romper com a Igreja Católica, quando escreveu suas teses, já que não concordava com a doutrina instituída pela Igreja Católica.  

Alister McGrath9, em uma obra extensa, relata que a ira de Lutero despertou quando começou a ser cobrada missas, para os fiéis que se encontravam no purgatório, para que fossem perdoados para estarem diante de Deus, chamada de teologia do purgatório, abolida pelo papa Pio V, em 1567. As indulgencias, eram cobradas para reduzir o tempo dos mortos no purgatório.

 Mesmo com sua condenação, pelo papa Leão X, que autorizava a venda das indulgencias, ele continuou a impressionar as pessoas à sua volta.

Armando A. Silvestre10 declara que O Concílio de Trento, 1546-1563, convocado pelo papa Paulo III, na cidade de Trento, na Itália, com a finalidade de resolver os problemas que permeavam a doutrina e a disciplina, iniciando, então, a Contra-Reforma, e formar “futuros sacerdotes para o ensinamento em defesa da fé, e a confissão centrada na orientação moral dos fieis”, e  segundo Giles, uma nova etapa na evolução da Teologia Cristã, enfatizando que é na Palavra de Jesus descrita nos Evangelhos, inspirados pelo Espírito Santo aos Apóstolos, porque quando os ouvimos, ouvimos o Senhor Jesus Cristo. Mas a Teologia católica não aceita que a única regra de fé seja as Escrituras Sagradas, mas a Igreja também, porque quem crê na Igreja crê nas Escrituras também, porque ambas tem fundamentos em Deus.

    A partir do século XVII – XX, “a Teologia se torna altamente autoritária com os pronunciamentos papais, as declarações conciliares e os decretos das Congregações da Cúria Romana”.(Cúria Romana – o conjunto dos dicastérios e dos organismos que auxiliam o Papa no exercício da sua missão – tem uma presença europeia muito significativa, sobretudo da Itália).

A Teologia originada do Concilio de Trento, fortaleceu os alicerces da Teologia católica, e reforçadas pelo Vaticano I,(1869-1870) que insiste que o papa é infalível,quando ensina  sobre a fé e a moral, mas também, combate o racionalismo, afirmando que “  a  base da fé e da Teologia encontra-se na revelação divina e não na perspicácia da razão, também afirma que Deus providenciou vários milagres e as profecias, que mostram a Sua presença”

Em 1879, o papa Leão XIII, eleva a Teologia Escolástica ao nível de Teologia oficial da Igreja, sob o título de neo escolástica, e assim será até o Concílio Vaticano II (1963-1965), fundamentada também na tradição da fé, fruto da graça de Deus através do Espírito Santo.

Segundo Giles, no fim do século XIX, tem início a crise “modernista” reprovada pelo papa Pio X  em 1907,que ensinava sobre Efésios (4,7:11-13), que a Igreja é o Corpo de Cristo que deve encarnar-se na História e dele sentir os reflexos,  abalando a Teologia católica até o Concílio Vaticano II. Com  essa crise, o Modernismo afirma que os dogmas somente tem a função de avisar os falsos conceitos, porque não há nenhuma relação entre os dogmas e a realidade  representada, porque a mente humana não tem capacidade de expressar o sobrenatural em termos e normas subjetivas.

Diante desse movimento modernista, surge na década de 1960 uma nova Teologia na América Latina de autoria do teólogo Gustavo Gutiérrez, a Teologia da Libertação, com lutas sociais, pelos direitos dos menos favorecidos. Esta Teologia considera que é necessário haver uma contribuição para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna, orientada pela Palavra de Deus

Conclusão

A Teologia, com uma vasta vertente, aqui apresentada somente três, tão importante, nos apresenta, não somente o Deus Criador, mas renovando a crença em um Ser Supremo, defendida com veracidade, a cada Era, com o compromisso maior, em defender e proteger a Palavra de Deus e a fé cristã. Como expressa Giles, que a “Teologia é o diálogo entre Deus e  a humanidade”.


Te convido a participar, dando sua colaboração neste aprendizado. Vamos juntos aumentar esta corrente de fé, e levarmos a outrem, a preciosa Palavra de Deus!

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Referências:

  1. RITO, Honório. Introdução à Teologia. Petrópolis: Vozes, 1998. Disponível em:
    https://faculdadespaulistanas.edu.br/origem-da-palavra-teologia/ acesso: 14 jan 2022 ↩︎
  2.  LOPES, Claudinei Jair, Pluralismo teológico e cristologia: nos caminhos da relevância teológica da história e da relevância histórica da  teologia/ Claudinei Jair Lopes.- Petrópolis, RJ: Vozes,2005 ↩︎
  3.  In: Cf. D.SATTLER/T.SCHNEIDER, Doutrina sobre Deus. In:  T. SCHNEIDER (org). Manual de Dogmática, p 53; H.KUNG. Teologia a caminho, p. 154 ↩︎
  4.  B. OLIVER. Que é fazer teologia hoje? In: J.B. LIBÂNIO E A. MURAD. Introdução à Teologia, p. 17 ↩︎
  5.  GILES, Thomas Ranson,1937-Teologia: Perspectivas/ Thomas Ransom Giles. São Paulo: E PU,199 ↩︎
  6. 230 – Introdução à Teologia Sistemática…/Eurico Bergstein
    1a- ed. – Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1993. p. 440. ↩︎
  7. <https://www.bibliaonline.com.br/arc> ↩︎
  8. NEVES, Daniel, professor de História. Disponível: <https://brasilescola.uol.com.br/historiag/contra-reforma.htm> acesso: 30 de jan 2022 ↩︎
  9.  McGrath, Alister E., 1953- Revolução Protestante/ Alister E. McGrath: tradução Lena e Regina Aranha- Brasília, DF, Palavra, 2012 . p.51-54 ↩︎
  10. Concílio de Trento, por Armando Araujo Silvestre. Disponível em:  https://www.infoescola.com/historia/concilio-de-trento/  acesso: 22 de jan de 2022
    Cúria Romana. Disponível em <https://noticias.cancaonova.com/mundo/curia-romana-saiba-o-que-e-e-confira-as-ultimas-mudancas/> acesso: 22 de jan 2022 ↩︎

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