Por que a intensidade sonora é importante nas igrejas? Precisamos URGENTE disso!

A Paz do Senhor, queridos leitores! Estou feliz em poder compartilhar com vocês uma apresentação do tema intitulado Intensidade Sonora. Esse é um tema pouco discutido, porém, necessário, porque é uma questão de Saúde Pública.

TCC: Sueli Guete Aguiar – Teóloga

Orientadora: Professora Giselda Beserra De Souza (Em memória)

1Figura 1 – O nível de intensidade sonora é medida em decibéis.

Crédito: Shutterstock

O nível de intensidade sonora é medida em decibéis.
O nível de intensidade sonora é medida em decibéis.

É oportuno a apresentação do tema citado, porque o site da 2Prefeitura de SP divulgou no 01/02/2024, uma nota sobre:

O Programa Silêncio Urbano (PSIU), da Prefeitura da Cidade de São Paulo, tem a missão de tornar mais pacífica a convivência entre os cidadãos, além de atender preceitos constitucionais.

“O PSIU (Programa Silêncio Urbano) fiscaliza estabelecimentos comerciais, indústrias, instituições de ensino, templos religiosos e demais usos não residenciais definidos nos termos da legislação em vigor, além de obras (publicado em 27/09/2021, o Decreto nº 60.581 entra em vigor no prazo de 90 dias) e ruído produzido por equipamento de som instalado em veículos automotores estacionados nos termos da lei 15.777/13, sendo que a Lei não prevê a fiscalização em ruído produzidos por residências. Com a aprovação da Lei 16.402, de 23 de março de 2016, regulamentada pelo Decreto nº 57.443/16, foi preconizado no art. 146 que fica proibida a emissão de ruídos produzidos por quaisquer meios ou por quaisquer espécies, com níveis superiores aos determinados pela legislação federal, estadual ou municipal, prevalecendo a mais restritiva.

Por sua vez, o art. 147 determina que os estabelecimentos que comercializem bebidas alcoólicas e que funcionem com portas, janelas ou quaisquer vãos abertos ou ainda que utilizem terraços, varandas ou espaços assemelhados, bem como, aqueles cujo funcionamento cause prejuízo ao sossego público, não poderão funcionar entre 1 hora e 5 horas, após a publicação dos decretos nº 57665/17 e 57.666/17 esse dispositivo passou a ser fiscalizado, principalmente, pelas Subprefeituras.

Por fim, o art. 148 da mencionada Lei estabelece as penalidades aplicáveis aos infratores, que preveem desde a imposição de multas e intimações até o fechamento administrativo com reforço policial. Os valores das multas variam de R$ 12.000,00 a R$ 36.000,00.

II – Como Funcionam As Vistorias:

A programação da fiscalização é feita com antecedência, pois necessitam da participação de outros órgãos, como a Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana e, eventualmente, da Vigilância Sanitária, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Polícia Civil e Subprefeituras.

As medições de ruídos obedecem aos níveis de ruídos impostos pela Lei 16.402/16 e à metodologia prevista pela NBR 10.151/19, podendo ser realizadas em frente ao local denunciado ou na residência de quem denuncia.

III – Como Denunciar:

As denúncias podem ser feitas pelo telefone 156, pelo Portal SP156 ou nas Praças de Atendimento das Subprefeituras.

Para que a ação tenha maior eficácia, é importante que o reclamante informe o endereço completo do estabelecimento que está provocando o incômodo, o horário de maior incidência de barulho e o tipo da atividade exercida.

O denunciante deve se identificar fornecendo o nome completo, o endereço e o telefone, sendo estes dados pessoais mantidos sob sigilo”.

A Intensidade Sonora

A Intensidade Sonora, não é só um problema individual, mas também social. Este artigo apresenta alguns problemas causados pelo uso indevido de sonorização nas Igrejas, mormente nas Igrejas Pentecostais. Destaca a necessidade de treinamento de operadores das aparelhagens de sonorização para que os ouvintes possam sentir-se confortáveis com a intensidade sonora que lhes é oferecida. Destaca ainda, a observação nas Leis, quanto aos direitos, tanto dos frequentadores das igrejas, quanto aos vizinhos.

Introdução

O momento do culto é a hora em que o cristão faz reverência à grandeza de Deus. É o momento também que a música é empregada para levar as pessoas a um quebrantamento, além de tornar um ambiente propício à ação de Deus e à comunhão entre os irmãos. Sabe-se que o culto de adoração a Deus é para que Seu povo se apresente com gratidão e respeito e a música tem um papel fundamental neste momento.

Porém, algumas igrejas têm tornado o momento do culto quase impossível de ser frequentado pelo som inadequado que tem obrigado crianças, idosos ou mesmo adulto mais novo, a se retirarem do interior do templo pelo incômodo causado por um som alto e estridente, tanto durante o louvor, quanto a pregação da Palavra.

Os visitantes não pertencentes à determinada denominação, dizem que parece até que “Deus é surdo”. Será que isto não é perceptível?

A escolha do tema sonorização se deu porque pouco tem se falado sobre a Intensidade sonora nas Igrejas, principalmente nas Pentecostais, que têm trazido incômodo aos membros e constrangimentos com os vizinhos adjacentes ao templo, e também, pela escassez de obras que abordem este assunto tão sério e preocupante.

Inicialmente é preciso esclarecer que este estudo não tem pretensão alguma de apresentar conhecimento da tecnologia do som, mas no puro interesse de pesquisar esse intrigante problema, que é o mau uso extremamente forte dos aparelhos de som medidos em decibéis (que se diz som alto), que tem causado desconforto aos ouvidos, não somente aos idosos, mas a toda faixa etária. Não se refere ao maravilhoso barulho de Glórias a Deus com Aleluia de adoração, nem da dinâmica musical, porque os instrumentos são vários. O que está em foco nesta pesquisa é o ensurdecedor barulho devido ao mau uso dos amplificadores, dos aparelhos que deveriam facilitar ao locutor o uso de sua voz sem precisar sacrificá-la e chegar com um som saudável e inteligível aos ouvidos de todos os adoradores que não conseguem encontrar um lugar no ambiente que os façam sentirem confortáveis e com espirito calmo para oferecer a Deus seu culto de adoração.

A Intensidade Sonora, além de não ser só um problema individual, como foi citado anteriormente, é social também, porque os ruídos estando fora do limite de decibéis, 55 dB, segundo determinação da OMS – Organização Mundial da Saúde, se tornam prejudicial também para a saúde até dos que moram ao redor do templo, além de incomodá-los muito.

Assim, o problema de pesquisa procurou responder: como a igreja pode utilizar um serviço de som que proporcione um culto agradável ao Senhor, sem que coloque em risco a saúde, insalubridade aos membros e transtorno aos vizinhos amparados pela Lei do Silêncio?

O objetivo geral da pesquisa buscou compreender qual a intensidade sonora adequada para a Igreja de modo que o ouvinte possa se sentir confortável e os vizinhos adjacentes ao templo, respeitados.

Os objetivos específicos compreenderam: Explicar o que é Sonorização e sua utilização adequada nas Instituições religiosas; Identificar como os efeitos da sonorização inadequada na igreja colocam em risco a Saúde e desrespeita a Lei do Silêncio. Verificar a necessidade de Treinamento para o Operador com um técnico de som.

Em relação à metodologia, a presente pesquisa constou de uma pesquisa bibliográfica. De acordo com a abordagem é uma pesquisa qualitativa. Em relação aos objetivos é uma pesquisa descritiva.

O interesse da pesquisa é mostrar que os problemas provenientes da intensidade sonora podem ser prevenidos quando seguidas as orientações não ultrapassando os limites suportáveis da audição.

A organização do artigo apresenta-se da seguinte forma: Os elementos pré-textuais e em seguida está a introdução. O Capítulo 1, buscou-se explicar o que é Sonorização e sua utilização adequada nas Instituições religiosas, O Capítulo 2, procurou compreender qual a intensidade sonora adequada para a Igreja de modo que o ouvinte possa se sentir confortável e os vizinhos adjacentes ao templo, respeitados; identificar como os efeitos da sonorização inadequada na igreja colocam em risco a Saúde e desrespeita a Lei do Silêncio, e verificar a necessidade de Treinamento para o Operador com um técnico de som. Logo após vem a conclusão e em seguida as referências.

1 O Que É Sonorização E Sua Utilização Adequada Nas Instituições Religiosas

Com o avanço da tecnologia de Sonorização, grandes templos são construídos, tornando necessário até a engenharia desta tecnologia para instalação de toda aparelhagem: mesa de som, caixas acústicas, microfones de boa qualidade, acabamentos, como tipo de pisos, portas, tetos, etc.

Diante deste contexto faz-se importante compreender inicialmente o conceito de Sonorização, estratégia tecnológica utilizada nas igrejas, mas que tem causado várias controvérsias sobre seus efeitos negativos a saúde e aos vizinhos adjacentes ao templo.

  1. Sonorização

Gidenilson Alves Santiago, em sua obra O Som Nas Igrejas, define: Sonorização como um sistema de reforço acústico”, e explica que o reforço não vai tornar melhor a qualidade do som, mas vai fazer com que o som de voz ou de instrumento, tenha maior alcance aos ouvintes que estão mais distante, em ambiente interno ou externo somente .

Para Josué de Campos, mesmo que não haja aparelhagem de som de última geração, é possível oferecer culto de adoração a Deus com a mesma eficiência, porque a presença de Deus e o coração quebrantado são mais importantes para a um culto de louvor a Deus, mas que é preciso investir o mínimo necessário na formação de um operador de som.

  1. Intensidade Sonora

O Dicionário Online traz o significado de Som como “tudo o que é captado pelo sentido da audição; ruído, barulho”.

O Prof. Paulo Augusto Bisquolo cita três qualidades do som que os ouvidos conseguem distinguir:

Altura, qualidade que diferencia os sons agudos (alto) dos sons graves (baixo) emitidos por vozes ou instrumentos musicais.

O timbre, qualidade que capacita os ouvidos de distinguir o som produzido pelos diferentes instrumentos de uma orquestra, como de um trombone e saxofone ou da voz das pessoas com quem conversamos.

A Intensidade sonora é a força com que o som chega aos ouvidos, comumente chamado de volume.

Paulo Augusto explica as diferentes qualidades dos sons captados pela audição e cita um exemplo da diferença entre altura e intensidade, e que quando alguém pede para diminuir ou aumentar o som, tecnicamente entende-se que está falando de altura, (grave, agudo) então aciona-se o controle de graves, mas se a reclamação é de intensidade sonora, (fraco ou forte), então aciona-se o controle de volume, que diminui ou aumenta a potência com que o som chegue aos ouvidos, e que cada instrumentos, por causa seu formato , produz diferentes sons, essa diferença de sons de instrumentos ou de vozes é definido como timbre.

Os Efeitos Da Sonorização Inadequada Na Igreja Colocam Em Risco A Saúde

Marco Antonio Ferraz Perez destaca,

Cerca de 10% da população mundial está exposta a níveis de ruído que podem causar diversos problemas. A poluição sonora ultrapassou a poluição da água para ocupar o segundo lugar como maior causadora de doenças. Nesse preocupante ranking da Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição sonora fica atrás apenas da atmosférica, com base em aprofundado estudo, afirma que, acima de 70 decibéis, o ruído causa danos à saúde.

Segundo Perez, a poluição sonora não é visível sua acumulação, mas tem causado sérios danos, e já ultrapassou a poluição da água, ficando em segundo lugar no ranking da Organização Mundial da Saúde (OMS) e as pesquisas mostram que ruídos acima de 70 db, tem causados sérios danos à saúde pública e segundo a OMS, ainda, a poluição sonora, tem matado mais pessoas do que a poluição do ar.

Perez descreve algumas doenças causadas pela poluição sonora, tais como:

Stress, depressão, surdez, agressividade, perda de atenção e concentração, perda de memória, dores de cabeça, insônia (dificuldade de dormir), aumento da pressão arterial, AVC, cansaço, medo, gastrite e úlcera, queda de rendimento escolar e no trabalho, taquicardia, redução da libido, arritmia, desequilíbrios dos níveis de colesterol e hormonais e outras perturbações psíquicas e até tendências suicidas.

Para o advogado não importa o horário limite de fazer barulho acima do permitido, á que o que está em questão é a saúde e o sossego das pessoas e que o Meio Ambiente é interesse e espaço de todos.

O Prof. Dr. Theógenes Eugênio Figueiredo, na reflexão Paisagem Sonora – Eclesial, Um Espaço de Poluição Sonora?, define paisagem sonora eclesial como o som, interno e externo, existente no ambiente de culto e que o cristão está inserido nesta paisagem sonora, mesmo não se sentindo bem com a qualidade de som oferecida. Para o Professor a paisagem sonora eclesial não deve ser imperialista, isto é, não deve ser imposta aos participantes do culto e aos vizinhos uma sonoridade prejudicial à saúde e destaca que,

A paisagem sonora eclesial deve ser benéfica à saúde auditiva. Proporcionar o bem-estar auditivo aos participantes do culto, deve ser uma busca constante da liderança eclesiástica, um compromisso com a sustentabilidade humana e com a diminuição, e porque não dizer, a eliminação da poluição sonora da paisagem sonora eclesial.

Segundo o professor, os líderes eclesiásticos precisam se preocupar com a qualidade e intensidade do som oferecida em suas igrejas, para que os membros sintam – se bem, e devem se preocupar com a sustentabilidade humana e eliminação da poluição sonora da paisagem sonora eclesial.

Na figura abaixo, Figueiredo ilustra o efeito da intensidade sonora no organismo.

3Figura 3- Efeito da Intensidade Sonora no Organismo.

A este respeito, Fernando Pimentel Souza afirma:

Não se avalia devidamente os efeitos somados pela poluição sonora por desconhecer os trabalhos científicos, por não encontrar no dia-a-dia, provas suficientes de convencimento, por não poder captar a causa pelos próprios olhos, nesta era considerada de predomínio visual, e por ter-se tornado insensível ao dano na comunicação verbal.

Para Pimentel, como a intensidade sonora é invisível, as pessoas não têm uma boa qualidade de vida e não conseguem ver os danos causados que os atacam silenciosamente, fazendo com que as mesmas se tornem dependentes de drogas psicotrópicas para não caírem em depressão, porque o silencio já não faz mais parte do meio em que vivem. Isso acontece por ignorarem os resultados de pesquisas cientificas que mostram os males causados pela poluição sonora.

R. Murray Schafer, em “A afinação do mundo” relata que, a paisagem sonora do mundo está mudando. O homem moderno começa a habitar um mundo que tem um ambiente acústico radicalmente diverso de qualquer outro que tenha conhecido até aqui.

Segundo Murray, os pesquisadores se preocupam com essa diversidade de sons, por causa do perigo de excesso da intensidade sonora em todas as áreas da vida humana e os especialistas preocupados prediz uma surdes universal se não houver um controle dessa mudança.

A Professora de Biologia, Alice Dantas Brites, esclarece que o mecanismo de defesa do aparelho auditivo, não é capaz de proteger os ouvidos dos sons muito intensos e frequentes, e a exposição, sejam de sons agradáveis ou ruins, sejam de ruídos, pode causar diversos danos, não somente aos ouvidos, mas a todos os órgãos.

2.1 A Sonorização Inadequada Desrespeita A Lei Do Silêncio

Marco Antônio Ferraz Perez esclarece que,

Cerca de 10% da população mundial está exposta a níveis de ruído que podem causar diversos problemas. A poluição sonora ultrapassou a poluição da água para ocupar o segundo lugar como maior causadora de doenças. Nesse preocupante ranking da Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição sonora fica atrás apenas da atmosférica, com base em aprofundado estudo, afirma que, acima de 70 decibéis, o ruído causa danos à saúde.

O artigo 30 da Carta Magna dá autonomia para os municípios para legislar sobre os assuntos de interesses locais.

Na Capital de Mato Grosso, Cuiabá, existe a Lei Nº 3.819 de 15 de janeiro de 1999, elaborada por Rinaldo Almeida, publicada na Gazeta Municipal Nº 414 de 26/02/99, que dispõe sobre: Padrões de Emissão de Ruídos, Vibrações e Outros Condicionantes Ambientais e dá Outras Providências.

No Capítulo l Art.3º Para efeitos da presente Lei, consideram-se aplicáveis as seguintes definições:

I – Poluição Sonora: toda emissão de som que, direta ou indiretamente, seja nociva à saúde, a segurança e ao bem-estar da coletividade ou transgrida as disposições fixadas nesta lei.

IV – Ruídos: qualquer som que cause ou tenda causar perturbações ao sossego público, ou produzir efeitos psicológicos e/ou fisiológicos negativos em seres humanos e animais, entre outros.

No Capítulo V, Art. 17, desta mesma Lei, em seus incisos cita as penalidades aplicadas, tais como: advertências multas, suspensão das atividades e até a cassação de funcionamento.

Segundo Theógenes, apesar da Associação Brasileira de Normas Técnicas definir limites de decibéis para as Igrejas de um modo geral, há ainda muitas reclamações e autuações com multas e indenizações de reclamantes vizinhos de igrejas, devido ao som excessivamente alto.

2.2 A Necessidade de Treinamento Para o Operador de Som Com Um Técnico de Som

Fernando Bersan cita que:

O caminho para as pessoas terem fé é um só: pela audição. É pelo ouvir da Palavra de Deus que as pessoas vão crer, acreditar que Jesus pode transformar as suas vidas. É pelo ouvir de uma Palavra Revelada, viva, cheia do Espírito Santo de Deus, que o homem vai se arrepender dos seus pecados e aceitar a Jesus como seu Único e Suficiente Salvador.

Ainda Bersan alude que,

O trabalho de sonorização não é meramente aumentar volume e apertar botões. Nosso trabalho é levar vidas o Senhor Jesus, através da pregação do Evangelho! O trabalho do Operador de som é um trabalho de muita responsabilidade, que não pode ser feito de qualquer jeito. Pode e deve ser feito da melhor maneira possível, com todos os recursos que pudermos dispor, com todo o cuidado.

Um operador de som não se forma de repente, e sua atividade não se resume em “baixar e aumentar volume”, mas é dele a responsabilidade de fazer com que a mensagem, seja através do louvor ou pela mensagem falada, chegue de maneira audível e inteligível aos ouvintes. Ele precisa estudar e treinar para conhecer bem os equipamentos de som, para fazer um bom trabalho e que a equipe de som deve estar envolvida com os demais grupos da igreja, interagindo nos ensaios, aprendendo e orientando o que é possível e preciso. O operador de som é um cooperador da obra de Deus, por isso, a liderança da Igreja precisa investir no treinamento do mesmo, para ele não ser “o irmão do som”, mas o operador do som, explica Bersan.

Valter Júnior de Melo, em suas propostas de soluções com problemas de som, sugere que o operador de som ajuste os aparelhos de sonorização, antes de iniciar o culto para não comprometer o andamento do mesmo .

2.3 A Intensidade Sonora Adequada para a Igreja de Modo que o Ouvinte Possa se Sentir Confortável

4Figura 4

Theógenes destaca que a Associação de Normas Técnicas (ABNT/NBR) através da NBR/ABNT 10152, estipulou o “limite de 40 a 50 decibéis” confortáveis aos ouvidos, para igrejas e templos.

Para Ivone Boechat,

Toda pessoa tem o direito sagrado de frequentar os cultos e atividades da igreja e de se sentir muito feliz, sereno, confortado, em qualquer idade.

O ouvido tem alta sensibilidade e suporta confortavelmente, por uma a duas horas, no máximo, 50 decibéis. Passou disso, além de fazer mal a saúde, incomoda muito.

Culto animado não é sinônimo de barulho. Reverência, participação, adoração, comunhão, consagração, apontam para o equilíbrio.

O templo não é um lugar sombrio, triste, com silencio sepulcral, é um espaço de alegria, louvor e transformação, decisões.

Boechat explica que o cérebro não consegue receber e guardar as mensagens em um ambiente que não é possível entender o que está sendo apresentado devido ao barulho. Para Boechat, um lugar sereno para o momento de adoração e pregação da Palavra de Deus, proporciona alegria, comunhão e importantes decisões.

2.4 A Intensidade Sonora Adequada para que os Vizinhos Adjacentes ao Templo Sejam Respeitados

Segundo Adriano Pinheiro, o limite de intensidade sonora determinado pela Resolução nº 1/90, item V, do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA é de 55 dB, mas pode variar de acordo com a legislação de cada município, então o limite será o que o município fixar.

O colunista Gilberto Garcia em seu comentário declara que possui várias decisões judiciais, tanto de Igrejas Evangélicas, Católicas e outros credos, com resultado de interdições das igrejas e também com multas. Ressalta que o cumprimento da Legislação Sonora Nacional, não é algo que as Igrejas gostem, mas é necessário que seus líderes estejam atentos ao cumprimento da Legislação Sonora Nacional, para evitar onerações e para o bem-estar de seus fiéis e adjacentes.

Roque Carvalho defende que A queixa é que as pessoas não se importam, quando se trata de escolas de samba baile funk, terreiros de umbanda, templos espíritas, festas folclóricas, etc.

Para o Carvalho, o que o outro faz não justifica praticar a mesma coisa.

Ainda lembra que, a igreja não deve dar motivo para que se fale mal de Deus, lembremo-nos do exemplo de Davi, repreendido pelo profeta Natã; “… com este ato deste motivo…” 2ª Samuel 12.14.

Segundo Carvalho, não importa se o som de outras entidades está acima do

permitido pela Lei Sonora Nacional, mas a Igreja tem que zelar pelo Nome de Deus.

Conclusão

O templo é um lugar sereno onde se reúnem os fiéis para prestar culto de adoração e ouvir a Palavra de Deus, por isso é preciso que os líderes eclesiásticos levem a sério a arte de sonorização de suas igrejas.

Os líderes eclesiásticos precisam respeitar as leis que normatizam o funcionamento do som na igreja, principalmente o que diz respeito à intensidade sonora, que traz danos irreversíveis ao aparelho auditivo, provoca problemas cardiovasculares, gastrointestinais, respiratórios, estresses, impotência sexual, prejudica o sono e ainda provoca onerações com indenizações e multas.

É muito importante investir no treinamento de pessoas que tenham interesse em cooperar no departamento de som na igreja. Muitas vezes a igreja investe em aparelhos de alta tecnologia, mas não tem cooperadores preparados tecnicamente que operam esses aparelhos.

O operador de som é o mensageiro, que mesmo sem pregar ou cantar, faz chegar a mensagem ao ouvido dos presentes. Um operador de som bem orientado evitará muitos problemas, tanto pessoal, quanto social.

REFERÊNCIA

Bíblia Sagrada. Trilíngue, NVI. 3ª Ed. Santo André: SP. Brasil. 2011.

BISQUOLO, Paulo Augusto, professor de física do colégio COC- Santos (SP).

Disponível em: < https://educacao.uol.com.br/disciplinas/fisica/ondas-sonoras–a-timbre-altura-e-intensidade.htm? > Acesso: 05 mar. 2018

BOECHAT, Ivone. Ministro de Música. Disponível em: < http://www.prazerdapalavra.com.br/colunistas/ivone-boechat/15790-ministro-de-musica-ivone-boechat> Acesso:26 nov. 2017.

BRITES, Alice Dantas, Professora de Biologia, Poluição Sonora: Quando o Som Vira Barulho. Disponível:< https://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/poluicao-sonora-quando-o-som-vira-barulho.htm>. Acesso: 07 mar. 2018.

CAMPOS, Josué de. Administração Eclesiástica: manual de estudos/ Josué de Campos, Gunar Berg de Andrade, organizador e desenvolvedor de ensino. Campinas, SP: FAETAD. 2007, p. 105.

CARVALHO, Roque. Igrejas Barulhentas Vizinhos Revoltados; Disponível em: <http://contigrejas.com.br/noticias/igrejas-barulhentas-vizinhos-irritados> Acesso: 17 mai. 2018.

FIGUEIREDO, Theógenes Eugênio, Paisagem Sonora Eclesial: Um Espaço de poluição Sonora? Disponível em: < http://www.batistas.com/portalantigo/images/acao_social/Paisagem%20sonora%20eclesial_um%20espa%C3%A7odepolui%C3%A7%C3%A3osonora.pdf>Acesso: 12 abr. 2017.

GARCIA, Gilberto colunista, As Igrejas e a Legislação Sonora Nacional. Disponível em: <http://www.prazerdapalavra.com.br/colunista/gilberto-garcia/16186-as-igrejas-e-a-legislacao-sonora-nacional-gilberto-garcia> Acesso: 20 nov. 2017.

MELO, Valter Júnior, A música no dia-a-dia da igreja: identificando problemas e propondo soluções/ Valter Júnior de Melo. Brasília: Itamarati, 2001.p. 20.

OMS, Organização Mundial da Saúde. Disponível em: <www.bussolaesclar.com.br.> Acesso: 03 abr. 2017.

PEREZ, Marco Antonio Ferraz, Poluição Sonora Mata.

Disponível em: <http://www.ambientelegal.com.br/poluição-sonora-mata-primeira-parte/> Acesso: 20 mai. 2018.

PINHEIRO, Adriano M, Advogado, articulista e palestrante, Igreja – Ruído e Sossego Público. Disponível em: <https://artigos.gospelprime.com.br/igreja-ruido-sossego-publico/> Acesso: 08 mar. 2018.

RAMALHO, Roberto Legislação federal sobre poluição sonora urbana e competência dos Municípios. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/20500/legislacao-federal-sobre-poluicao-sonora-urbana-e-competencia-dos-municipios>. Acesso: 20 nov. 2017.

SANTIAGO, Gidenilson Alves, Som nas Igrejas. Disponível em:<https://musicaeadoracao.com.br/recursos/arquivos/tecnicos/sonorizacao/som_igrejas.pdf>.Acesso: 03 abr. 2017.

SCHAFER, R. Murray. A Afinação do Mundo: uma exploração pioneira pela história passada e pelo atual estado do mais negligenciado aspecto do nosso ambiente: a paisagem sonora/ R. Murray Schafer. Tradução Marisa Trench Fonterrada – São Paulo: Editora UNESP, 2001 – SP, página 17.

SOM, Dicionário Online de Português. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/som> Acesso: 07 mar. 2018.

SOUZA, Fernando Pimentel, Professor Titular – UFMG, especialista em Neurofisiologia, Membro do Instituto de Pesquisa do Cérebro, UNESCO, Paris. Disponível em: <labs.icb.ufmg.br/lpf/2-14.html >. Acesso: 03 abr. 2017.

Referências das Figuras

  1. <https://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/determinando-intensidade-sonora-na-sala-aula.htm> ↩︎
  2. <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefituras/zeladoria/psiu/index.php?p=8831/> ↩︎
  3. FIGUEIREDO, Theógenes Eugênio, Paisagem Sonora Eclesial: Um Espaço de poluição Sonora? Disponível em: < http://www.batistas.com/portalantigo/images/acao_social/Paisagem%20sonora%20eclesial_um%20espa%C3%A7odepolui%C3%A7%C3%A3osonora.pdf>Acesso: 12 abr. 2017. ↩︎
  4. <https://www.mimosoinfoco.com.br/editorias/boca-no-trombone/lei-do-silencio-nao-e-so-apos-as-22h00-som-alto-e-barulho-a-qualquer-hora-do-dia-pode-dar-multa-e-cadeia/> ↩︎

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